outro endereço de blog
queridos e queridas, o espaço deste blogue acabou... tudo acaba, fazer o que? agora estou aqui: http://pueril2.zip.net/ não me abandonem...
Escrito por Cléo De Páris às 00h28
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Aniversário de Satyros da Cléo!
E hoje é meu aniversário de Satyros!!! 6 aninhos. 6?... acho que é isso. rs. obrigada, universo! (queria colocar uma foto, mas esse blog tá com defeito) bom, não importa, parabéns pra mim!!!
Escrito por Cléo De Páris às 01h05
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Desamparo XXXV
Tinha os dias cansados da tentativa de desabrochar. o mar de um lado, a praia de outro. no meio, ela. o lamento. as questões. como se fosse fácil (porque poderia ser), esnobou um passo de dança. impressionou o pensamento. descortinou o instante. era inteira, era incerta e era deslizes. era também espaços e dilaceramentos. ouviu e com atenção de criança: você é difícil de esquecer. ouviu e com atenção de criança: difícil deve ser carregar olhos azuis. ouviu e com atenção de criança: você já pode voar.
(não é assim que se espera! se espera com a sala limpa e perfumada mesmo quem chega com as botas sujas; se espera com um banquete mesmo quem está empanturrado. a espera deveria ser sublime, a espera seria quase um não esperar, um não pensar, um não querer antecipar. espera é bebê recém-nascido. mas parece que não foi, não foi assim que ele esperou. parece que nem ela.) acordou para construir a casa. tantos telhados já tinha, colocados em vão. no vazio. porque a ilusão não tem paredes... riu. e riu de seu riso doce amansando a amargura. riu. tinha então as proibições. e tinha a liberdade de destruir. a vida é brinquedo que nasce com a gente. a vida é brinquedo mágico que nasce com a gente. seria preciso mesmo deslizar. desligar. desentender. desestabelecer. trapézio! tobogã! redemoinho! FIR-MA-MEN-TO! o acaso mandou notícias: as fugas são todas possíveis, os desejos também. respondeu ao acaso: vou por mar. 
Escrito por Cléo De Páris às 15h29
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Poesia de Marcelo Ariel, que adoro
DESINTEGRAÇÃO- MORTE Daqui brota a linguagem do outro lado o pensamento vem como num baile os dois dançam o baile acaba ser e linguagem cessam o pensamento vê a porta aberta e flutua até um abstrato quando.
Escrito por Cléo De Páris às 14h00
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Acho que é uma letra do Cordel do Fogo Encantado... tão linda!
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas, O amor comeu metros e metros de gravatas O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte
Escrito por Cléo De Páris às 21h09
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A música mais linda do mundo nessa semana
São Demais Os Perigos Desta VidaComposição: Vinicius de Moraes / Toquinho São demais os perigos desta vida Pra quem tem paixão, principalmente Quando uma lua chega de repente E se deixa no céu, como esquecida E se ao luar que atua desvairado Vem se unir uma música qualquer Aí então é preciso ter cuidado Porque deve andar perto uma mulher Deve andar perto uma mulher que é feita De música, luar e sentimento E que a vida não quer de tão perfeita Uma mulher que é como a própria lua: Tão linda que só espalha sofrimento Tão cheia de pudor que vive nua
Escrito por Cléo De Páris às 22h26
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Resolução pra 2011:
Dançar mais! 
Feliz Ano Novo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Escrito por Cléo De Páris às 13h43
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Cotidiano
Minha mãe ta triste porque morreu o pé de alecrim. e chateada porque fez uma toalha linda de crochê pro padre colocar na mesa do altar na missa do galo e outra senhora invejosa... ficou sabendo e fez outra toalha! com sinos pintados e bordados. agora o padre vai usar a toalha da Antonia... e a da minha mãe vai ter que ficar pra ressurreição de Cristo. de manhã, passa um carro com auto-falante anunciando todo tipo de coisa, o horário da missa, o horário do lixo que mudou, as ofertas do mercado... minha priminha tem 4 anos e alguns problemas de saúde, precisou ficar dois dias sem comer pra fazer exames. ta magrinha, fraca, brinca de desmaiar. hoje me acordou: - Kéu, vc ta cansada? - to sim, Ana Julia - eu também, to muito cansada, mas tinha saudades de você. daí brincamos e ela ri e enche tudo de calma. eu fico aqui lembrando dos meus fantasmas nesse quarto, dos barulhos de raposas no forro de madrugada. queria tanto que meus fantasmas ainda fossem os mesmos... tanto...
Escrito por Cléo De Páris às 15h42
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Aqui
 Ana Julia ouve os mesmos discos de historinhas que eu ouvia!
 Ana Julia brinca e eu me divirto


Feliz Natal!!!!!!!!!!!!
Escrito por Cléo De Páris às 13h53
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Waldo e Tereza
Outro dia fui no dentista, tinha lançamento do livro dos Satyros e meu cabelo tava todo despontado. na hora que saí vi um salãozinho bem ao lado, tipo salão de cidade do interior, bagunçado e cheio de coisas velhas e revistas jogadas pra todo canto. "Tereza Cabeleira Unissex". entrei. a Tereza veio me receber, uma mulher de certa idade, bonita, loira, cabelos longos, jeans e camisa branca, brincos chamativos. - oi, eu queria cortar o cabelo - como você quer? - só as pontinhas. - ta bom, vamos lavar - mas só as pontinhas mesmo, eu faço teatro, na peça preciso usar uma trança... - tudo bem - você garante que corta só as pontinhas? - garanto. eu perdi um grande amor porque cortaram o meu cabelo demais, faz tempo. depois virei cabelereira e só corto o que as pessoas pedem. daí entrou no salão a filha da Tereza, uma adolescente linda, toda alvoroçada e disse: "ah, mãe, de novo essa história! esse cara não gostava de você, já falei, imagina, terminar um noivado por causa do cabelo! cabelo cresce!" Tereza ficou em absoluto silêncio, lavou meu cabelo e cortou só as pontinhas. no final, quando eu saía, cantarolou uma canção antiga. ********************* Conheço o Waldo há uns 8 anos, cabelereiro de mão cheia, corta em segundos, quase sem olhar e fica lindo. simpático, tímido, carinhoso. quando a gente se conheceu eu tinha mudado pra São Paulo e fazia de um tudo pra pagar o aluguel da kitinete nojenta no viaduto nove de julho. fazia recepções em coquetéis na Bovespa com um tailler vermelho, fazia seleção de frases de concuso, fazia degustação de produtos... daí eu consegui um trampo ótimo, pagava bem e era perto de casa: degustação de maionese Hellmann's no TBC, antes de uma peça que tinha umas figuras famosas e um texto engraçadinho classe média. o Waldo era o cabelereiro delas, toda noite ia la pra arrumar as estrelas. eu passava por eles, dava boa noite, algumas delas nem me viam e se me vissem diziam: "oi, mocinha Hellmann's" ou "mocinha Hellmann's, você pode chamar tal pessoa pra mim?" mas o Waldo foi sempre simpático comigo do mesmo jeito que era com elas e me chamava de Cléo. um dia ele disse: "esse seu cabelo não ta com nada, parece uma evangélica, eu vou cuidar de você." e ele me deixou linda e desde então, é o meu cabelereiro preferido e mais amado! e é desses caras que tem garra, que cai e levanta, que ja teve sócios safados que deram calote nele e sempre consegue se reerguer, ele é uma pessoa boa. fiquei um tempão sem ir la e fui anteontem. levei chocolates, conversamos um pouquinho, ele me apresentou pra umas madames dizendo que sou uma grande atriz, cortou meu cabelo. daí eu falei: - Waldo, eu quero pagar - imagina! nem pense nisso. - mas Waldo, você sempre cortou meu cabelo de graça, quando eu não tinha dinheiro quase pra pegar o ônibus e vir aqui, agora eu tenho um emprego, as coisas mudaram pra mim - mas eu não mudei. quando você voltar, vamos fazer umas luzes e hidratar esse cabelo. adorei os chocolates, você tá linda! e eu saí na chuva cantarolando uma canção antiga.
Escrito por Cléo De Páris às 20h42
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A música mais linda do mundo nessa semana
O Que é Que HáComposição: Fabio Jr. / Sergio Sá O que é que há? O que é que tá Se passando Com essa cabeça? O que é que há? O que é que tá Me faltando prá que Eu te conheça melhor? Prá que eu te receba Sem choque Prá que eu te perceba No toque das mãos O teu coração... O que é que há? Porque é que há Tanto tempo Você não procura Meu ombro? Porque será? Porque será? Que esse fogo Não queima O que tem prá queimar? Que a gente não ama O que tem prá se amar Que o sol tá se pondo E a gente não larga Essa angústia do olhar Há! Haaaá!... Telefona! Não deixa que eu fuja Me ocupa os espaços vazios Me arranca dessa ansiedade Me acolhe, me acalma Em teus braços macios Macios!... O que é que há? O que é que tá Se passando Com a minha cabeça? Não, eu não sei, não! O que é que há?... Telefona! Não deixa que eu fuja Me ocupa os espaços vazios Me arranca dessa ansiedade Me acolhe, me acalma Em teus braços macios Macios!... O que é que há? O que é que há? O que é que há?...
Escrito por Cléo De Páris às 15h17
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Do blog do Ivam Cabral!!
VIVA, APCA DE DIREÇÃO É NOSSO!
Prêmio APCA 2010 Da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA
Diretor: Rodolfo García Vázquez, “Roberto Zucco” Ator: Danilo Grangheia, “Êxod’os – O Eclipse da Terra” Atriz: Bel Kowarick, “Dueto Para Um” Autor: Samir Yazbek, “As Folhas do Cedro” Espetáculo: “Doze Homens e Uma Sentença”, dirigido por Eduardo Tolentino de Araújo Grande Prêmio da Crítica: Antunes Filho, por sua inestimável contribuição ao Teatro Brasileiro Prêmio Especial da Crítica: Projeto de encenação de “O Idiota”, de Cibele Forjaz
Votaram: Afonso Gentil, Erika Riedel, Evaristo Martins de Azevedo, Jefferson Del Rios, Luiz Fernando Ramos, Maria Lúcia Candeias, Mauro Fernando Mello, Michel Fernandes e Vinício Angelici
Escrito por Cléo De Páris às 14h51
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RETROSPECTIVA

Na revista BRAVO! deste mês, uma retrospectiva bem interessante: "Os 100 melhores do século 21 (até agora)". São, segundo a publicação, os filmes, espetáculos, discos, exposições e livros essenciais para entender a cultura nos últimos dez anos. Na categoria Teatro, aparecemos na 10a. posição com "A Vida na Praça Roosevelt", encenada em 2005. A lista, elaborada por Gabriela Mellão, Kil Abreu e Valmir Santos é a seguinte:
1- ENSAIO.HAMLET – Cia. dos Atores 2 – HYSTERIA – Grupo XIX 3 – AGRESTE – Cia. Razões Inversas 4 – O QUARTO – Club Noir 5 – OS SERTÕES – Teatro Oficina 6 – A PEDRA DO REINO – CPT 7 – BR3 – Teatro da Vertigem 8 – 4.48 PSYCHOSE – Direção de Claude Regy, com Isabelle Huppert 9 – OS SETE AFLUENTES DO RIO OTA – de Monique Gardenberg 10 – A VIDA NA PRAÇA ROOSEVELT – Os Satyros
Escrito por Cléo De Páris às 15h09
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A música mais linda do mundo nessa semana
Faltando um PedaçoComposição: Djavan O amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha Comparo sua chegada com a fuga de uma ilha: Tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha O amor é como um raio galopando em desafio Abre fendas cobre vales, revolta as águas dos rios Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho Na pureza de um limão ou na solidão do espinho O amor e a agonia cerraram fogo no espaço Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço E o coração de quem ama fica faltando um pedaço Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços
Escrito por Cléo De Páris às 23h03
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Desamparo XXXIV
uma menina chora sozinha num canto do mundo. seus joelhos doem. pássaros não cantam à noite. toda dor tem um desenho. o rímel que não alonga os cílios, escorre. o rímel despedaça o que não viveu. ela só queria dançar. sozinha mesmo, mas sem joelhos que doem. exausta, já viveu tanto hoje, viveu hoje por uma vida mesmo, pensava no trem. se fosse atropelada atravessando a rua e perdesse a memória, não faria falta. ela não faria falta à sua memória. era tudo meio gasto. podia enfim desabar. se perdesse a memória hoje às 5h27, ele iria embora junto. e o rímel caro que nem sequer alonga os cílios, iria também. os pássaros todos, a banheira nova com luzes de todas as cores, os 3 vestidos novos bem brejeiros! a música que ouvira 8 vezes na tarde, derretendo. o remédio pra rinite, o remédio pra afta, o remédio pra dormir. sem memória, ia dormir. os pesadelos iriam embora, os pensamentos todos. e ela iria dormiiiiiiiiiiiiiir. a memória da beleza, jogada enfim no vazio. cada nada em seu lugar. tantos esmaltes... tantas incertezas... tantos adeuses... tudo pra um lugar onde ela não mais estaria. ela estaria no colo da liberdade, recém nascida, talvez até pudesse conhecer o mar de novo! sorriu engolindo rímel caro que nem sequer alonga os cílios, salgado.
pensou que sim, iria esquecer tudo. mesmo sem a cena rodrigueana. o gosto da sopa de pacote, o gosto da comida do bistrozinho... fernando pessoa, as difamações, o Maestro, as rainhas, a janela, a infâmia. a cor do céu, todas as músicas da nara leão, as caixinhas de música, a alergia. a velhice. encaixotaria tudo. as palvras escolhidas, os chapéus que já não sabia mesmo onde estavam, o calor, o telegrama urgente do sonho: "amo sua felicidade". a casa nova que não servia pra nada, os recortes de jornais, os braços longilíneos, as pálpebras lascivas, o cansaço, a ribalta. imaginou que teria direito a escolher 3 coisas, 3 pedidos, era lógico. - pitangas - cheiro de jasmim - o irmão assim, sonhando com o nada, engoliu o último lexotan de que teria notícia. lembrou do sorriso dele, os dentes que gostava de ficar olhando de perto enquanto ele falava que gostaria de ter a vida dela nas mãos, pra cuidar como nunca ninguém fez. lembrou com força e com tempo: o barulho do mar, as 900 páginas de suspiros. enquanto o lexotan cor de rosa se amalgamava com suas entranhas, teria ainda alguns minutos. ia lembrar da paz que ele tinha na palma das mãos pra fazer ela amanhecer. 
Escrito por Cléo De Páris às 01h18
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