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conheci Zé do Caixão!

Lembro desde criança desse mito. Um homem com unhas imensas que não acredita em Deus, impiedoso, inescrupuloso. Nos seus filmes, imagens bizarras e terríveis, mulheres lindas com pele branca cheias de aranhas imensas andando sobre seus corpos... quem eram essas mulheres? quem teria coragem de fazer um filme desses? quem se atreveria a contracenar com Zé do Caixão? ficava tentando imaginar a realidade, mas tudo era fantasia.
Vou fazer o filme novo do Zé do Caixão! Acreditem, pois eu mesma já estou acreditando. Sou uma dessas mulheres, sempre estive aqui e agora ele me achou. Ia acontecer, acho que eu sabia e por isso tentava entender essas criaturas tão loucas e ousadas. Serei a Dra. Hilda, uma bióloga que divide a mesma crença com Zé do Caixão e passa por uma provação pra descobrir se é uma mulher superior. No dia do teste, quase desisti, pensei: será que tenho coragem? depois pensei: será que tenho coragem de desistir? não tive. Achei até que tivesse ido mal, mas o Mojica gostou de mim. Negociei durante semanas, vários telefonemas por dia, problemas de horário, mas ele, o Mojica, disse que não ia abrir mão de mim no filme! (foram essas as exatas palavras da atenciosa produtora). Na semana passada, fiquei 3 horas deitada na mesma posição sem poder me mexer pra que fizessem um molde da minha bunda, de silicone, gesso e paciência. E nesse mesmo dia fui apresentada a José Mojica Marins! Um senhor simpático e gentil me apertou a mão, dizendo: "você vai ser a Dra. Hilda, não é? vamos trabalhar juntos." tudo tão natural que não parecia verdade... onde estavam os morcegos, os gritos, o enxofre, onde estava meu medo? devem aparecer todos no dia da filmagem, quando aparecer no lugar de Mojica, o Zé do Caixão... Na saída, ele perguntou se tinha dado tudo certo com o molde, me deu um beijinho no rosto e disse: "Vai com Deus". Eu vim!
Escrito por Cléo De Páris às 12h27
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Agora sim a primavera aconteceu!
Passaram as Satyrianas! ou melhor dizendo, ficaram as Satyrianas!!! ficaram na história, nos sorrisos, no barulho da multidão, na vida dos Satyros. Aconteceram momentos tão lindos, que minhas palavras parecem bobas pra ter a honra de contar... Inocência lotada, com cambistas comprando ingressos a 1 real e vendendo a 10; as pessoas saindo emocionadas; o Show de boate com o Ivam de Branca de Neve e seus "sete anões" encontrados na fila que toparam tirar a roupa e participar pra poder entrar na festa!; o Laerte e o Daniel apresentando sua Dança Séria; eu e Zed fazendo uma esquisita dublagem da Nico; o Cep 20.000 do Chacal; o Uroborus emocionante do Alberto; o Uroborus enlouquecido da Angela e da Suri; o Uroborus lindo meu, do Laerte e do Daniel, que começou só com o Zed na platéia e acabou lotado e com aplauso em cena aberta; o policial que desencanou de questionar o barulho quando viu Pascoal da Conceição e reconheceu o Dr. Abobrinha; a intervenção da oficina do Rodolfo que mais parecia um filme e deixou todos encantados; a Vanessa Bumagny cantando como uma musa e me fazendo chorar de alegria; os fãs da Filosofia na Alcova nos assediando depois do espetáculo como se fôssemos pop stars (dois foram comigo no churrasquinho da esquina e, enquanto eu comia um espetinho, queriam saber tudo sobre a peça e os Satyros); a emocionante homenagem ao nosso querido Fernado Peixoto; a emocionante homenagem ao teatro Oficina com Zé Celso chegando de carruagem e a Patríca Aguile galopando nua um cavalo branco; o Mário Bortolotto e a Helena Inez abrindo o Uroborus; os Parlapatões, vizinhos mais fofos do mundo; o pipoqueiro e sua mulher evangélica dizendo que o pessoal do teatro é abençoado; a caçamba apinhada de gente gritando; o vendedor de milho com a gente na caçamba; o gari que parou de varrer a rua às 7 da manhã e entrou na caçamba; o Zed pintando dia e noite; o Maestro Amalfi e a Big Band Canela abrindo as Satyrianas com sua música que entra na alma; o Rodolfo no megafone fazendo o encerramento e uma multidão gritando com ele: NÓS FAZEMOS TEATRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!; o Ivam ensinando pra mesma multidão nosso grito de dionísio; os olhares brilhando; os sorrisos verdadeiros; a vida; a primavera, eis a primavera!
Escrito por Cléo De Páris às 16h13
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