| |
"A sabedoria é um pente de ouro que a gente ganha quando já está careca." eu acho que foi isso que o Marçal Aquino me falou hoje, junto com outras tantas pérolas que não posso lembrar porque bebi bastante. Falávamos de crítica, lembrei do que um carinha escreveu no guia da Folha, dizendo que o Heitor Dhalia precisava ter mais amor à humanidade. Puta que pariu, esse cara devia ser demitido! não se pode dizer o que um artista precisa sentir, o cara não sabe nada de nada. Bom, eu só quero dizer que O Cheiro do Ralo é um filme incrível, encantador! sabe quando você vê um filme e sai do cinema querendo que todos os seus amigos vejam também?

Escrito por Cléo De Páris às 03h04
[]
[envie esta mensagem]

Uma boneca de verdade
Estou vivendo isso intensamente... Todos os dias vou a um CEU, fazer a peça. Sempre saio de lá muito tocada. Percebo que será uma experiência dessas que fazem a gente mudar e ter outros olhos pro mundo. Porque meus olhos serenos nunca tinham visto nada disso, embora eu falasse dessas coisas com bastante propriedade. Hoje foi o CEU Paz. Um lugar atroz com um paraíso no alto. Uma favela de dar medo em qualquer um com criancinhas brincando lá em cima e vendo uma peça de teatro! Saí maquiada, tinha que ensaiar na TV Cultura nosso tele-teatro, ia tirar a maquiagem no carro, me vesti e corri. Porém, ao abrir a porta que dava pra rua, fui surpreendida por muitas crianças, muitas nem tinham visto a peça, brincavam por lá e me viram. Sem exitar, corriam ao meu encontro cheias, transbordantes de carinho. Uma menininha veio correndo, parou na minha frente e disse: "de longe eu pensei que você fosse uma boneca de verdade!" sorriu e me abraçou. Fui no carro tirando a maquiagem branca e vermelha, as lágrimas ajudaram. olhava no espelhinho quebrado do carro, olhava meu rosto dividido em muitos, calada, tirando com algodão, pan cake e dor. e só pensava no texto do blog do Rodolfo, que colei aí embaixo. Não, não é fácil ser "uma boneca de verdade".
************************************************************************************ DO BLOG DO RODOLFO GARCíA VÁZQUEZ 29/03/2007 A crueldade da estatística dos sorrisos das crianças
Ontem fomos ao CEU do Campo Limpo. Texto inteligente do Roveri, direção maravilhosa do Ivam, elenco empenhado e talentoso. 450 crianças foram chegando. Faziam muito barulho, gritavam, brincavam, invadiam o palco, provocavam a equipe técnica antes do espetáculo começar. Todas tinham um sorriso de felicidade genuíno, iam assistir a uma peça. Mas um pensamento não saía da minha cabeça enquanto a gente esperava o começo do espetáculo; apesar dos sorrisos e da alegria, existia uma crueldade das estatísticas. Pelo menos 50 daqueles meninos iam se envolver com o tráfico. Outros 20 daqueles meninos iam morrer antes dos vinte e um anos. Pelo menos 40 daquelas meninas iam ficar grávidas até os dezesseis anos e teriam que criar seus filhos sozinhas. E outras 10 seriam atacadas sexualmente. E outros 50 teriam um irmão na cadeia. E outros 45 passariam fome em algum momento da vida. E outros...e outros...e outros... Por trás de todos aqueles sorrisos, quantos vão se tornar assassinos? E a sociedade furiosa vai pedir a pena de morte daquele que, ontem, para nós, era só um menino frágil e pequeno, feliz e cheio de esperança na vida.
Escrito por Cléo De Páris às 21h20
[]
[envie esta mensagem]

Pássaros e borboletas
Voltei agora do CEU. Mais uma apresentação de "O Dia das Crianças", a quarta e acho que a melhor.
No primeiro dia, quando dezenas de crianças tentavam chegar perto e me beijar, o Tiago disse que
eu parecia estar no filme do Hitchock, "Os Pássaros"!
Hoje, me senti mais leve, tudo mais fluido. Daqui a pouco vou me sentir entre borboletas.
daqui a pouco, posso voar com eles.

Escrito por Cléo De Páris às 17h54
[]
[envie esta mensagem]

|
|
|