
Escrito por Cléo De Páris às 21h31
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Receita Para Se Fazer Um Herói (Ira!)
Toma-se um homem Feito de nada como nós Em tamanho natural
Toma-se um homem Feito de nada como nós Em tamanho natural
Embebece-lhe a carne De um jeito irracional Como a fome, como o ódio
Embebece-lhe a carne De um jeito irracional Como a fome, como o ódio
Depois, perto do fim Levanta-se o pendão E toca-se o clarim E toca-se o clarim
Serve-se morto Serve-se morto morto, morto
Serve-se morto Serve-se morto
Escrito por Cléo De Páris às 15h20
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mesmo assim
mesmo assim
voltei. fui pra lá puxando minha vocação pela mão, teimosa. ia correr tudo bem, dizia eu pra ela e comprava sorvetes e mostrava os aviões... ia dar tudo certo, eu afirmava, mostrando os jornais, as fotos, os fatos... e tudo deu certo! mesmo que o projetor alugado pelo famoso festival tenha falhado, mesmo que tenhamos parado o espetáculo no começo, mesmo que os algodões tenham valido mais a pena, mesmo que a maquiagem comprada com suor tenha sido em vão... tudo deu certo! mesmo que o som tenha sido pouco, mesmo que os nervos tenham dado frutos, mesmo assim, tudo deu certo. mesmo que o vestido azul delícia tenha amassado sem pensar, mesmo que o branco refletisse um mar de angústia. tudo deu certo! digo eu pra minha vocação e a convenço a continuar. agarro, beijo, sufoco. mesmo sem implorar... ela fica. acho que fica. mesmo que não tenha onde morar, mesmo que eu não possa oferecer um colchão triste. mesmo que abra um livro do Oscar Wilde. ah, ela fica porque abriu um livro do Oscar Wilde! ela me olha. ela ri bem alto. e eu fico esperando que ela fique. eu quero. ainda quero. mesmo que não saiba.

Escrito por Cléo De Páris às 01h01
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