a Carol mandou pra mim outro dia...
Buquê de presságios (Marcelo Montenegro)
De tudo, talvez, permaneça o que significa. O que não interessa. De tudo, quem sabe, fique aquilo que passa. Um gerânio de aflição. Um gosto de obturação na boca. Você de cabelo molhado saindo do banho. Uma piada. Um provérbio. Um buquê de presságios. Sons de gotas na torneira da pia. Tranqueiras líricas na velha caixa de sapato. De tudo, talvez, restem bêbadas anotações no guardanapo. E aquela música linda que nunca toca no rádio. *** Cléo, a Lee leu esse poema e se lembrou de mim. Li e me lembrei de vc....Conexões...
Escrito por Cléo De Páris às 17h01
[]
[envie esta mensagem]

"A Noiva"
Salto de qualidade abre segunda fase de Direções
Com direção de Rodolfo García Vázquez e texto de Ivam Cabral, A Noiva será exibido amanhã, às 23 horas na TV Cultura, abrindo segunda série de teleteatros
por Beth Néspoli
História singela - uma menina do interior persegue o sonho de casar vestida de noiva - tratada com profundidade e delicadeza, com boas atuações e ângulos de câmera bem sacados. As muitas tomadas externas resultam em imagens não só bonitas como dramaticamente densas e expressivas. O teleteatro A Noiva, que vai o ar amanhã, às 23 horas, na TV Cultura, poderia ser exibido em qualquer rede de televisão nacional, em horário nobre, e tem potencial para agradar ao grande público. Mas só poderia ter sido criado na TV Cultura e por um motivo simples: é fruto de um projeto de risco - a série de teledramaturgia Direções, realizada em parceria com a TV Sesc.
Houvesse a obrigação de acertar - criar um produto ''de olho'' no ibope - e não teria ido ao ar a primeira fase da série, que reuniu, ano passado, 16 diretores teatrais da cidade. Eles criaram ficções de meia hora, exibidas com um making of, agora retirado, para aumentar a duração das histórias. Não houvesse a liberdade de experimentar, não se veria o evidente salto de qualidade no trabalho de Rodolfo García Vázquez, diretor do grupo Os Satyros, responsável pela criação de A Noiva, que tem texto de Ivam Cabral.
Vázquez havia participado da primeira fase com O Vento nas Janelas, que tinha a qualidade esperada por quem acompanha o trabalho da companhia. Desta vez, surpreende, a equipe se supera. Atriz dos Satyros, Cléo de Páris é a protagonista, ''a noiva'', e tem atuação introjetada, plenamente adequada à linguagem da televisão, em contracena com o experiente ator Gero Camilo. Norival Rizzo e Bárbara Bruno estão entre os atores ''convidados'' que se unem a outros do grupo, como Silvanah Santos.
Fruto da parceria entre a Fundação Padre Anchieta e o Sesc São Paulo, Direções confirma a importância das TVs públicas não voltadas para o mercado. Na primeira fase, como seria de se esperar, o resultado apresentou altos e baixos. Em entrevistas ao Estado, a maioria dos criadores externou o desejo de, terminada a experiência, reiniciá-la imediatamente, para aprimorá-la a partir da instrumentalização adquirida.
Mais uma vez, Os Satyros abrem a segunda fase da série, da qual participam oito diretores selecionados da primeira. São eles: André Garolli, A Longa Viagem; Bete Dorgam, Uma Escada para a Lua; Débora Dubois, O Homem do Saco; Eduardo Tolentino, O Telescópio; Georgette Fadel, Vou-me; Maucir Campanholi, Crepúsculo, e Samir Yazbeck, O Fingidor.
Talvez nem todos alcancem o salto de qualidade de A Noiva. Não importa. Segundo Paulo Markun, presidente da Fundação Paulo Anchieta, o projeto ''se inspira no bom teatro, capaz de inovar, pesquisar e romper padrões''. Ruptura é é algo que surge de tempo em tempos e pede bases sólidas - adquiridas com aprimoramento constante. Só assim brota a renovação. Tomara que Direções não perca de vista seus objetivos iniciais, a liberdade de experimentar.
Fonte: O Estado de S.Paulo, 10 de maio de 2008.
Escrito por Cléo De Páris às 15h49
[]
[envie esta mensagem]

|