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onde estão os doces regicidas do meu reino?????????????

sim, meus senhores: a crítica acabou!
lamento, mas preciso admitir. o Sérgio Sálvia Coelho foi o último! e sentenciei quando ele saiu da
Folha apesar dos olhos alarmados de meus colegas de profissão. porque agora não se pode mais
dizer que o que desempenhamos é mesmo uma profissão, a julgar pela crítica. é uma coisa qualquer.
eu não me importo e até admiro que falem mal do meu trabalho. mas exijo que falem! que pensem,
que estudem. não que mascarem. porque a tal crítica que se pratica hoje, fica em cima de um muro
de não entendimento. dizem o que sabem, vociferam asneiras e o que é pior: FALTA-LHES CULHÃO!
que amargura ter que ficar a essa mercê...
eu gostaria de aconselhar os críticos de hoje: vivam alguma vida! tenham filhos!
ouçam Bee Gees! plantem manjericão! façam qualquer coisa, ínfima que seja! não desistam! façam
palavras cruzadas! comprem uma chácara em Araçariguama! contem estrelas! acordem!
quanto a mim, só pretendo trabalhar dignamente numa fábrica de adoçantes e não vou deixar de
fazer meu tratamento de beleza à base de pepino todas as manhãs. e quanto à  Liz... ah, Liz vai
cortar algumas cabeças mal postas e continuar perguntando:
onde estão os doces regicidas do meu reino?!



Escrito por Cléo De Páris às 03h32
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Liz:

"não consigo chorar. não consigo nem uma puta duma lágrima!"



Escrito por Cléo De Páris às 02h43
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bom é ter mãe

Marilia Ines De Páris.
Marilia Ines Regozo. sagitariana.
1,70 m. dona de casa. sonhadora. generosa. altruísta. minha mãe. minha e do Daniel.
das coisas que posso esquecer um dia, o som da voz dela talvez seja a última.
porque tem uma nobreza que nada mais no mundo tem. nenhuma sonata, nenhuma
rapsódia, nenhuma trilha de nenhum filme lindo. mas talvez não seja o timbre, talvez
seja a força, a certeza, a necessidade de me fazer feliz. talvez seja isso que venha no
telefone todo dia, que vinha na hora do recreio no meu colégio com um sanduíche de queijo derretido
quentinho. era assim: eu não comia. nada. não tinha fome, pura e simplesmente. apesar dos
lamentos da minha mãe, nada me apetecia... comecei a desmaiar. em todo lugar, em casa, na
escola, brincando com as amigas. não me sentia mal, mas de repente, ia ficando tudo preto...
e tudo sumia. comecei a ficar conhecida, as amiguinhas queriam saber como era desmaiar e
porque só acontecia comigo? mas minha mãe, enquanto isso, estava em casa tentando
descobrir alguma fórmula que me apetecesse. fazia tortas, doces, rocamboles. um dia descobriu que eu
comia pão feito por ela com queijo derretido na frigideira, mas só com o queijo ainda quente...
não teve dúvidas: acordava cedinho pra preparar a maravilha. na hora do recreio, todo dia pontualmente,
aparecia a mil com seu fusca azul calcinha e o sanduíche de queijo quentinho derretido enrolado num pano
de prato. foi então que eu parei de desmaiar... deixei de ser celebridade, fiquei igual a todas as meninas
coloninhas que não desmaiavam. normais. mas minha mãe voltou a ser a mãe mais feliz do mundo!
depois comecei a ter falta de ar. mas muita. não dormia quase, parava na rua e ficava tentando
respirar. minhas coleguinhas achavam que eu ia morrer logo. não queriam ser como eu dessa vez.
não era poético assim como desmaiar. não dava pra imaginar um príncipe chegando bem na hora
pra evitar a queda. era aflitivo. um médico disse que eu tinha sopro no coração. eu achei bonito.
queria respirar, mas queria ter sopro no coração. era bonito. minha mãe não achava. sofria. um dia
me disse: pára de pensar nisso! por favor. é só você não pensar que o ar entra, se você pensar, ele 
fica em dúvida. e eu parei de ter sopro no coração. e minha mãe voltou a ser a mãe mais feliz do mundo!
nunca vai mudar. porque tiveram também os piolhos, as amidalites, os cortes... depois vieram os amores,
as estreias, as viagens... desmaios e sopros no coração a toda hora. e a voz da minha mãe pra dizer a coisa
certa. pra trazer o alento. pra ser simples. pra ser alguém que só é. linda e minha. minha mãe.



Escrito por Cléo De Páris às 04h45
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