A FORÇA DE CLEO
Liz.
Acabei de voltar dos Satyros, na reestréia da peça "Liz", do cubano Reinaldo Montero, que eu ainda
não tinha visto. A peça é uma visão bufonesca do reinado da Rainha Elizabeth, no século XVI. Clássica,
lúdica e com as pitadas kitsch dos Satyros, LIZ é um ótimo exemplo do teatro que eles vêm fazendo há
tempos na praça Roosevelt, que já foi considerado marginal, já foi considerado transgressor, já virou cult
e agora permanece como uma das grandes forças do teatro paulistano.
Além disso, LIZ é uma demonstração de força de uma diva inconstentável, minha querida Cléo De Páris,
que faz a Rainha (e que Rainha).
O texto também é ÓTIMO.
Vai lá: Sextas e sábados, 21h, no Satyros 1 (Praça Roosevelt 214).
foi pra achar um pouco de leveza que ela saiu naquela manhã. por isso só.
era pra ter alguma coisa. qualquer. pra ser feliz ou infeliz.
na noite anterior, tudo escuro. não estava nos planos seus olhos não aparecerem! mas.
parou como uma boneca antiga na frente da geladeira. não estava nos planos a carne apodrecer. mas.
de susto ou tristeza mesmo, ficou bem deprimida. só que o bendito choro não queria sair!
ela massageava forte o peito lembrando do moço. o moço dizia que era assim que se chorava,
mesmo que não quisesse. era assim. assim dava, o moço disse. mas só umas 3 lagriminhas
se encorajaram. o peito vermelho e tudo assim. o moço não disse mesmo quantas lágrimas...
queria parar de se surpreender. pra ser. feliz, não importa, ou infeliz. ser. não se surpreender.
não descobrir mais nada. acordar e depois dormir. almoçar. correr um pouco, ler sonetos. feliz ou infeliz.
não precisava escolher. então, era tanto silêncio que até se conformou. então era tanto silêncio que
viu a desimportância do som. viu a desimportância de todo aquele vento que tinha colocado nos
planos. pra mexer o cabelo. mas mais pra fazer barulho de filme de terror na janela. não ia mais precisar.
era bom quando uma coisa não ia mais precisar.
só que mesmo assim, era tanto desconcerto que doía um pouco. bem longe, bem fundo.
mesmo sem as lágrimas que o moço prometeu.