desamparo VI
ou
bem volúpia de primavera triste
a menina com os pés machucados olhava o horizonte de si... olhava de cabeça pra baixo e com alguma paixão. querendo, via pétalas gigantes e engolia o desespero. a dor da menina olha junto com seus olhos, quer jogar fora tudo que não lhe convém. mas divaga. já foi quando ainda não tinha ido. pra fugir do medo, melhor ir ou ficar? era bem volúpia de primavera triste... sim, porque o escuro desequilibra as gengivas machucadas de tanto mastigar a dor. de pijama ouvindo sirenes ao longe, uma chuva desbotada dentro de sua cabeça, ela não sabia mais onde colocar a esperança. pensava assim olhando o céu claro demais: tem dias que a vida nos parte o coração. noutros, não faz nada. era bom aqueles dias em que a vida não fazia nada. o silêncio de deixar seu coração só bater. passou outra vez em frente à loja de chapéus, o senhor velhinho e elegante sempre a olhava do mesmo jeito. ela sabia, ele gostaria tanto que usasse seus chapéus! ele tinha um olhar que pedia, mas ela tinha um olhar que não queria mais nada. um olhar que não queria girassóis, nem nuvens, nem balés. nem mesmo caleidoscópios. ela podia entrar num quadro de Renoir e não sair nunca mais. pra tristeza do velhinho elegante da loja, ficaria lá bem colocada sem chapéu com um olhar de quem não queria mais nada, com um olhar de quem não sabia mais onde colocar a esperança. 
Escrito por Cléo De Páris às 10h52
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a música mais linda do mundo na semana passada
Estrela, EstrelaVitor RamilEstrela, estrela Como ser assim Tão só, tão só E nunca sofrer Brilhar, brilhar Quase sem querer Deixar, deixar Ser o que se é No corpo nu Da constelação Estás, estás Sobre uma das mãos E vais e vens Como um lampião Ao vento frio De um lugar qualquer É bom saber Que és parte de mim Assim como és Parte das manhãs Melhor, melhor É poder gozar Da paz, da paz Que trazes aqui Eu canto, eu canto Por poder te ver No céu, no céu Como um balão Eu canto e sei Que também me vês Aqui, aqui Com essa canção
Escrito por Cléo De Páris às 15h56
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