desamparo VII

precisava de muitas coisas, mas mais do que tudo de solidão. e de ócio. precisava como nunca precisou de delicadeza, que sempre teve muita. (mas a vida sorrateira rouba um pouquinho, todo dia). queria se derreter em lágrimas. ou em armas, não sabia bem. colhia flores de concreto, enfeitava uma mesa de desprimavera. olhava ao redor e só via o que não se pode tocar. era fraca pra reconciliações. sempre desmaiava. o chão a puxava bruscamente e seu desespero, como um pé de vento feito só de som, era inapto. era inapta sua certeza. trocaria tudo por um pomar! enaiava um recomeço. não conseguia falar tudo que queria, os objetivos roubavam as palavras. seus joelhos doíam e roubavam as palavras. o óbvio chegava gelado e roubava as palavras. correndo. trocaria tudo por lembranças de um pomar. só deu tempo de colocar a blusa. não passou maquiagem nem nada. seu coração: como uma porta que só tranca por dentro.
Escrito por Cléo De Páris às 17h33
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domingo é dia
de tirar o esmalte azul da Liz de fazer comida de ouvir o silêncio de andar pela casa de pijama o dia inteiro de acender velas de dormir de comer bolachas com mel de abrir as janelas de ficar bem sozinha de ter esperança de andar descalça de sentir saudade de pintar o cabelo de tomar chimarrão de ver fotos antigas de rezar de falar com o irmão que tá longe de não ficar atenta a nada de contemplar bobagens de olhar a lua na janela com calma de desorganizar tudo de agradecer de esperar 
Escrito por Cléo De Páris às 23h25
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a música mais linda do mundo nessa semana
Canção da PartidaDorival CaymmiMinha jangada vai sair pro mar Vou trabalhar, meu bem querer Se Deus quiser quando eu voltar do mar Um peixe bom eu vou trazer Meus companheiros também vão voltar E a Deus do céu vamos agradecer
Escrito por Cléo De Páris às 22h42
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