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O Livro dos Monstros Guardados

assisti outro dia e recomendo. porque o trabalho do Zé Henrique é muito, muito legal,
o texto é lindo e tem um elenco maravilhoso. ah, e ainda tem o meu Daniel do brejo...
que tá encantador!

Direção: Zé Henrique de Paula
Texto: Rafael Primot
Com: Daniel Tavares, Fabio Redkowicz, Fabricio Pietro, Luciano Gatti, Otávio Martins,
Patrícia Pichamone e Sandra Corveloni.
Duração: 70 minutos
quartas e quintas, 21 hs no Teatro Imprensa (Rua Jaceguai, 400)
ingressos 10 reais (inteira) e 5 reais (meia)



Escrito por Cléo De Páris às 18h59
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desamparo VIII

ficou de costas para o tempo e para a lata de cerveja pela metade.
nas coisas que não queria ver, constava também a unha irremediavelmete lascada,
e a mais forte de todas! olhar já era difícil, mas o pior é que precisava
sentir. os espinhos no tapete de sonhos também. não somente feios, maus.
respirava memórias. ia sufocar. ou então cantaria como os pássaros. sem motivo.
o melhor era ser sem motivo. chegar e sair. não importar. virar as costas. adiantar o
relógio até que fosse só noite.

não gostava nada de ficar suspensa. queria pisar no chão, pensar no chão, esquecer no chão.
tentou dizer pra ele que sabia como acabava o amor, mas tinha tanto barulho e ele queria
rir tão alto que só conseguiu fazer gestos sem sentido (que significaram mais vestido azul
do que como acaba o amor).

desabou.

cerrou os olhos e os punhos. o esforço de sempre pra
não pensar. desistiu e pensou alto: até preferia que arrependimento matasse!
acostumada a finais, pegou logo uma corda e um banquinho.
sorriu para o clic.

no seu sonho, o mundo era todo feito de cacos de vidro,
era preciso ter muito cuidado.
acordou num sobressalto, mas o alívio durou pouco...
a vida era toda feita de cacos de vidro e era preciso ter muito
cuidado.
 
até preferia que arrependimento matasse.
desabou.
cacos.



Escrito por Cléo De Páris às 00h12
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a música mais linda do mundo nessa semana

Feito Gente

Walter Franco

Feito gente, feito fase.
Eu te amei, como pude.
Fui inteiro, fui metade.
Eu te amei, como pude.

Fui a faca e a ferida.
Eu te amei como pude.
Feito bicho que se espanta.
Eu te amei como pude.
Quando chegam a morte e a vida

Feito lixo que se queima.
Eu te amei como pude.
Feito chama quando arde.
Eu te amei como pude.

Fui capacho, já fui lama.
Eu te amei como pude.
Fui herói, fui covarde.
Eu te amei como pude.
Feito a dor que cedo ou tarde.
Eu te amei como pude.
Dói o corpo e dói a alma.

Feito água, feito vinho.
Eu te amei como pude.
Feito mágoa, feito espinho.
Eu te amei como pude.

Fui um poço, pensamento.
Eu te amei como pude.
Fui a calma e a revolta.
Eu te amei como pude.
Fui a vela, fui o vento.
Eu te amei como pude.
A partida foi a volta.

Eu te amei como pude.



Escrito por Cléo De Páris às 16h17
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